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 Militância LGBT no AM tem voz ativa na causa lésbica de assistente social


  31/08/2019



 

No mês de agosto, a militância LGBT ganha um direcionamento maior em todo o País para os movimentos das mulheres lésbicas (cis e trans) em celebração ao Dia Nacional do Orgulho Lésbico, no dia 19, e ao Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, no dia 29. E em homenagem ao Mês da Visibilidade Lésbica, que chega ao seu fechamento neste sábado (31), o Conselho Regional de Serviço Social do Amazonas (CRESS 15ª Região/AM) apresenta a história de lutas da assistente social Vanessa Monteiro, 36, pela comunidade LGBT no Estado.

 

 

Lésbica e militante, Vanessa se tornou há três anos uma voz ativa nas lutas pela equidade, liberdade, respeito e avanço nos direitos civis das lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais e travestis. Em Manaus, ela integra a Associação Manifesta LGBT+ e a Subcomissão de Mulheres Lésbicas e Bissexuais da Comissão Especial Mista da Diversidade Sexual e de Gênero da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Amazonas (OAB/AM), além de trabalhar como assistente social do projeto Casa Miga Acolhimento LGBT e ser voluntária no Ambulatório de Diversidade Sexual e Gênero Processo Transexualizador da Policlínica PAM Codajás.

 

 

Formada em Serviço Social pela UniNorte desde 2013, a assistente social abraçou o ativismo em defesa, principalmente, das mulheres lésbicas do Amazonas ao perceber a relevância da mobilização social e da articulação política nas causas da comunidade LGBT. Mas o despertar de Vanessa Monteiro para a militância ocorreu no início do curso de pós-graduação sobre Sexualidade, Gênero e Direitos Humanos na UEA (Universidade do Estado do Amazonas).

 

 

“Decidi entrar na militância (LGBT) depois de várias diretrizes a qual a vida se encaminhou de me colocar. Primeiro, porque sou mulher cis lésbica e temos poucas referências aqui em Manaus. Segundo, porque tive casos de alguns amigos que sofreram e sofrem na pele a LGBTfobia. E terceiro, devido ter iniciado uma pós-graduação sobre Sexualidade, Gênero e Direitos Humanos na UEA que me trouxe não só conhecimento, mas amigos que também tinham alguns ideais em comum em prol da causa LGBT. Daí foi um pontapé, literalmente, depois desse curso a minha efetivação na militância LGBT, em 2017”, explicou.

 

 

Por vivenciar e conhecer bem os problemas mais comuns enfrentados pelo universo LGBT, Vanessa afirma que no Amazonas as mulheres lésbicas (cis e trans) ainda sofrem uma forte discriminação e violência por suas orientações sexuais, identidades e expressões de gênero. “Infelizmente, não tivemos muito o que celebrar (no Mês da Visibilidade Lésbica). Ainda há tabus e ‘rótulos’ de que mulheres lésbicas não são respeitadas em seus respectivos trabalhos, por exemplo. Casos de agressões às mulheres não vinculados nos dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) são um alerta”, disse a militante.

 

 

 

 

 

Uma ‘segregação’, inclusive, entre as bandeiras de luta de cada gênero é observada pela assistente social. “As dificuldades são diversas, como a falta de apoio por uma causa quando não é a própria. Por exemplo, há muita visibilidade em eventos como a Parada do Orgulho LGBT, porém, no decorrer dos eventos separados para gays, lésbicas e trans há sempre uma divisão e somente aquelas pessoas (dos respectivos gêneros) participam dos seus eventos dentro das suas ‘caixinhas’. Isso ainda é recorrente, infelizmente”, declarou Vanessa.

 

 

E conseguir o apoio de pessoas fora da realidade LGBT é outro grande desafio da militância no Estado, de acordo com a assistente social. “Enfrentamos muitas barreiras para que outras pessoas sejam simpatizantes da nossa causa. Preconceito é uma delas. Pois falar de movimento LGBT perpassa em quebrar tabus, romper com a sociedade heteronormativa em suas diversas nuances”, argumentou.

 

 

Mas nem tudo são espinhos na luta diária dos movimentos das mulheres lésbicas e a militância tem se organizado mais para conquistar uma maior representatividade até no cenário político, conforme Vanessa Monteiro. “Há uma nova geração de mulheres cis lésbicas e trans que estão tomando coragem e ‘saindo do armário’ sem medo de represálias, tomando a frente de diretórios estudantis e buscando ocupar seus lugares em espaços de representatividade, como em movimentos e partidos políticos. E isso veio com a visibilidade na mídia sobre a representante de movimento social Marielle Franco (vereadora lésbica do Rio de Janeiro e militante das causas LGBT e feministas na qual o assassinato, em março de 2018, ganhou repercussão internacional)”, analisou a assistente social.

 

 

Dentro do serviço social, Vanessa Monteiro também verifica um engajamento das profissionais da categoria pela comunidade lésbica e que a motivam na militância. “Existem assistentes sociais comprometidas com a causa e de alguma forma fazem valer as prerrogativas do Projeto Ético-Político da nossa profissão. As referências me fazem seguir adiante nessa luta constante e profissionais como Lidiany Cavalcante (professora universitária do curso de Serviço Social na Ufam e membro da Comissão de Diversidade Sexual da OAB/AM) são um exemplo a ser seguido dentro da nossa categoria”, exemplificou.

 

 

E apesar da criminalização da LGBTfobia pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em junho deste ano, ser apontada como um avanço pela causa, a militante afirma que ainda existem muitas reivindicações que precisam ser atendidas. “Ainda temos que promover discussões e debates para gerar mais esclarecimentos sobre nossa realidade. No Brasil, sobretudo em Manaus, a sociedade ainda é extremante machista, sexista e misógina. Entre as reivindicações creio que a efetivação dos nossos direitos civis, sociais e afetivos está acima de tudo, assim como ter espaços como delegacias especializadas para nosso público denunciar crimes cometidos contra LGTB's e ter a sensibilidade e a compreensão (da sociedade) de que pessoas trans querem e devem ser respeitadas pelos seus nomes sociais”, concluiu.

 

 

 

 

Conselho Regional de Serviço Social do Amazonas (CRESS 15ª Região/AM)

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